Grandes Rainhas da África

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“Histórias de rainhas africanas, guerreiras onde cada uma em seu tempo comandaram impérios mostrando ao mundo durante todos esses quase 10 mil anos de existência da humanidade a força, a garra e a beleza da Mulher Negra”. (UNEGRO – RJ)

 

 

 

 

 

NANDI– Rainha da Terra Zulu (1778 – 1826)

O ano era 1786. O rei da terra Zulu era jubiloso. Sua esposa, Nandi, tinha dado luz a seu primeiro filho, que eles chamaram Shaka. Mas as outras esposas do Rei, que era ciumento e frio, o pressionaram a banir Nandi e o jovem menino em exílio.

Firme e orgulhosa, ela criou seu filho com disciplina e a orientação que um herdeiro real deveria ter. Depois, ela e seu filho foram finalmente recompensados e mais tarde Shaka retornou para se tornar o maior de todos os Reis Zulus. Até hoje o povo Zulu usa seu nome, “Nandi”, para se referir a uma mulher de alta estima.

 

HATSHEPSUT
Hatshepsut foi rainha-faraó da 18ª dinastia do Egito. Ela reinou, aproximadamente, de 1479 a. C. a 1457 a. C. Governou com o nome de Maatkara Hatshepsut. O nome Hatshepsut, era, um título cuja tradução quer dizer “a primeira das nobres senhoras”.
Tutmósis 1º expandiu de maneira nunca antes vista o império egípcio. Quando faleceu, Hatshepsut era a única sucessora direta. Há suposições, de que o próprio pai a teria nomeado sua herdeira.
Intrigas palacianas, contudo, impediram Hatshepsut de assumir o trono, colocando no poder Tutmósis 2º – filho de uma esposa secundária de Tutmósis 1º – e obrigando Hatshepsut a casar com o novo faraó. No entanto, ela se rodeou de servidores fiéis, e aumentou seu poder dia a dia, até se tornar uma oponente perigosa para os que a haviam traído quando seu pai morreu.

Tutmósis 2º faleceu jovem, deixando dois filhos que ainda estavam na primeira infância, ambos de esposas secundárias. Hatshepsut, a esposa real, havia dado à luz apenas uma menina. Mais uma vez os servidores do alto escalão agiram no sentido de controlar a sucessão, mas Hatshepsut os derrotou, assumindo a regência, enquanto Tutmósis 3º ainda não alcançara a maioridade.
Ela afastou seus oponentes da cena política e nomeou pessoas de confiança para os principais cargos. Proclamou a si mesma faraó, tornando-se a terceira rainha-faraó de que se tem notícia na história do Egito. Assumiu, então, todos os atributos masculinos do seu cargo, menos o título de todo-poderoso.
A ideia mais genial de Hatshepsut, no entanto, foi a de se proclamar primogênita do próprio deus Amon, além de sua substituta na Terra. Para validar essa filiação e garantir seu status, ela certamente teve de pagar um altíssimo preço aos sacerdotes.
Ainda que Hatshepsut tenha passado à história como uma governante pacífica, a verdade é que ela realizou várias campanhas militares: contra a Núbia, para proteger postos fronteiriços no norte e também para atacar a cidade de Gaza, na Palestina.
No 15º ano do reinado de Hatshepsut, Tutmósis 3º começou a lutar para recuperar seu poder. Não se conhecem as razões, mas em um único ano morreram os principais servidores da rainha-faraó. Logo depois, faleceu a filha de Hatshepsut, Neferura. Lentamente, a rainha-faraó se afastou do poder. Hatshepsut morreu em seu palácio, na cidade Tebas. Sua tumba encontra-se no Vale dos Reis.

 

CLEÓPATRA
“A famosa rainha egípcia, nasceu na cidade de Alexandria, em meados de Dezembro de 69 a.C., filha de Ptolomeu XII. Seu nome, em grego, tem o sentido de “glória do pai”.
Cleópatra teve uma formação primorosa, adquirindo a cultura intelectual que lhe permitiria dominar ilustres figuras, garantindo a independência de seu país. Nela se destacavam os dotes intelectuais e a estratégia diplomática.
Após a morte [do pai] ela é indicada, junto ao irmão, Ptolomeu XIII, para ocupar o trono. Como a lei exige que ela esteja unida a alguém em matrimônio, ela se casa com o irmão. Disputas se instauram entre ambos, Ptolomeu se une a Pompeu, governante de Roma, Cleópatra instala-se com suas forças armadas em Pelúsio.
Júlio César vence Pompeu, desembarca em Alexandria, flagrando os irmãos em confronto acirrado. Ptolomeu morre um ano depois, afogado no Rio Nilo, em virtude de uma batalha na qual se defrontou com Júlio César. Depois de vários embates os romanos já tinham sob seu jugo o povo egípcio.
Nesta época César e Cleópatra já eram amantes. O fruto desta união é chamado de Ptolomeu César. Ela parte para Roma, onde permanece ao lado de Júlio. Ele a [trata] como uma rainha, impondo sua presença a um povo insatisfeito. A revolta popular cresce e César é morto em 44 a.C. Ela volta para o Egito.
Roma era governada por um triunvirato, regime no qual três homens se associam no governo de um país, com direitos iguais. Sentindo-se ameaçada por Roma, Cleópatra seduz Marco Antônio, integrante do Triunvirato. Ele cede aos seus encantos e a rainha engravida de gêmeos. Quatro anos depois ele tem um novo filho com a amante. Cleópatra é intitulada “Rainha dos Reis”, título legado a seus filhos.
A união de ambos e a força de suas pretensões incomodam Otávio, que declara Marco traidor de Roma. Em fins de 32 a.C. ele inicia um confronto com o Egito, durante o qual Cleópatra e Marco Antônio se unem contra os romanos, mas não conseguem resistir às investidas do adversário, são vencidos na batalha de Accio. Entre idas e vindas, os amantes se unem e seguem seus planos como se os romanos não pudessem mais voltar para o Egito.
Mas o inimigo volta, Cleópatra tenta um acordo, mas não obtém resposta, pois Otávio ambiciona reinar sozinho sobre o Egito. Marco Antônio tenta reagir, mas seus soldados o abandonam. Marco acredita nos boatos que disseminam a informação de que ela estaria morta, e se suicida, é conduzido até a amada e morre ao seu lado. Logo depois Cleópatra, então com 39 anos, também morre, entrando para a história e convertendo-se em um grande mito.”

 

TIYE
Tiye (1398 a.C. – 1338 a.C., também escrito Taia, Tiy e Tiyi) era filha de Yuya e Tuiu (Thuyu também escrito). Ela se tornou a grande esposa real do faraó egípcio Amenhotep III. Ela era mãe de Akhenaton e avó de Tutankhamun. Sua múmia foi identificada como “The Lady Elder” encontrado no túmulo de Amenhotep II (KV35) em 2010.
Egiptólogos têm sugerido que o pai de Tiye, Yuya, era de origem núbia, devido às características de sua múmia e as muitas grafias diferentes de seu nome, o que pode implicar que era um nome não-egípcio de origem. Alguns sugerem que a rainha tinha fortes opiniões políticas e religiosas não convencionais. Isso pode ter sido devido não apenas a uma personalidade forte, mas a descendência estrangeira.
Seu marido dedicou uma série de santuários para ela e construiu um templo dedicado a ela em Sedeinga em Nubia onde ela era adorada como uma forma da deusa Hathor – Tefnut.
Tiye era enérgica durante os dois reinados de seu marido e filho. Tiye tornou-se conselheira e confidente de seu marido. Ser sábio, inteligente, forte e feroz, ela foi capaz de ganhar o respeito de dignitários estrangeiros. Líderes estrangeiros estavam dispostos a tratar diretamente com ela. A mesma continuou a desempenhar um papel ativo nas relações exteriores e foi a primeira rainha egípcia a ter seu nome gravado em atos oficiais.
Tiye pode ter continuado a aconselhar seu filho, Akhenaten, quando ele assumiu o trono. A correspondência de seu filho com Tushratta, o rei de Mitanni, fala muito da influência política que ela exercia na corte.

Amenhotep III morreu no ano 38 ou 39 anos de seu reinado (1353 a.C./1350 a.C.) e foi enterrado no Vale dos Reis. Tiye continuou a ser mencionada nas cartas de Amarna e em inscrições como rainha e amada do rei. Em uma inscrição aproximadamente datada de 21 de novembro do ano 12 do reinado de Akhenaton (1338 a.C.), tanto ela como sua neta Meketaten são mencionados pela última vez. Elas devem ter morrido logo após essa data.
Até 2010, a análise de DNA, patrocinado pelo secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades Egípcias Zahi Hawass, foi capaz de identificar formalmente a Lady Elder ser rainha Tiye. Além disso, os fios de cabelo encontrados no interior do túmulo de Tutankhamun combinava com o DNA da Lady Elder.

 

NEHANDA – Guerreira do Zimbábue

Nascida em uma família religiosa, Nehanda exibiu liderança notável e habilidades organizacionais, e jovem se tornou uma das líderes religiosas mais influentes do Zimbábue.

Quando os colonos ingleses invadiram o Zimbábue em 1896 e começaram a confiscar a terra e o gado, Nehanda e outros líderes declararam guerra. A princípio eles alcançaram grande sucesso, mas como os materiais se esgotaram, foram vencidos no campo de batalha.

Nehanda foi capturada, culpada e executada por ordenar a matança de um notável e cruel chefe nativo. Apesar de estar morta por quase cem anos, Nehanda permanece viva para a história – foi uma pessoa muito importante para o Zimbábue, e ainda é chamada de Mbuya (avó) Nehanda por patriotas deste país.
NZINGA

Rainha Amazona de Matamba, África Ocidental (1582 – 1663)
Muitas mulheres estiveram entre as grandes dirigentes da África, inclusive esta rainha angolana que era uma astuta diplomata e se sobressaiu bem como líder militar.

Quando os escravizadores portugueses atacaram o exército do reino de seu irmão, Nzinga foi enviada para negociar a paz. Com habilidade surpreendente e tato político ela se impôs, apesar do fato de seu irmão ter matado uma criança dela.

Mais tarde ela formou seu próprio exército contra os portugueses, e empreendeu uma guerra durante quase trinta anos. Estas batalhas viram um momento sem igual na história colonial quando Nzinga aliou sua nação aos os holandeses, fazendo assim a primeira aliança europeia africana contra um opressor europeu.

Nzinga continuou com sua considerável influência, apesar de acabar em exílio forçado. Por causa de seu apelo pela liberdade e seu direcionamento para trazer a paz ao seu povo, Nzinga permanece como um forte símbolo de inspiração, além de ter sido uma mulher à frente do seu tempo, pois havia sido educada por padres e com isso sabia ler e escrever, fato raro na época.

NEFERTITI
Nefertiti (1380 – 1345 a.C.) foi uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito, esposa principal do faraó Amenófis IV, mais conhecido como Aquenáton. O seu nome significa “a mais Bela chegou”, o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria uma origem estrangeira. Contudo, nos últimos tempos tem vingado a hipótese de Nefertiti ser egípcia, filha de Ay, alto funcionário egípcio.

Nos primeiros anos do reinado de Amenófis mudanças religiosas culminariam na doutrina chamada de “atonismo” (dado ao fato do deus Aton ocupar nela uma posição central). Nefertiti aparece representada como a única oficiante do culto, o que é revelador da importância religiosa desempenhada pela rainha desde o início do reinado do seu esposo.
Os muitos templos que celebravam os deuses tradicionais do Egito foram todos rededicados pelo rei ao novo deus por ele imposto. Especula-se que esta pequena revolução, entre outros possíveis objetivos, possa ter servido para consolidar e engrandecer ainda mais o poder e importância do faraó. Após o reinado de Aquenáton, o Egito antigo voltaria às suas práticas religiosas politeístas.
Nefertiti teve seis filhas com Aquenáton: Meritaton, Meketaton, Anchesenamon, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré.
A segunda filha do casal, Meketaton, teria morrido afogada. Durante o reinado de Aquenáton espalhou-se por todo Egito uma peste, além de um surto de malária, conhecido na época como “doença mágica” que matou 3 filhas do casal.

Nefertiti acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado porém, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amenófis ela esvanece e não é mais mencionada em qualquer obra comemorativa ou inscrições e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas.
Uma hipótese que procura explicar o silêncio das fontes considera que, quando Aquenáton faleceu Nefertiti mudou de nome para Anchetcheperuré Semencaré e governou como faraó durante cerca de dois anos. Há ainda outra hipótese, como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti.
Em Junho de 2003 a egiptóloga Joanne Fletcher da Universidade de York anunciou que ela e a sua equipe teriam identificado uma múmia como sendo a rainha Nefertiti. Com isso, ela conseguiu permissão do governo egípcio para realizar um exame de DNA. Infelizmente, o exame mostrou que a múmia não era de Nefertiti, mas sim da irmã dela. As buscas pela múmia de Nefertiti continuam.

MAKEDA
A misteriosa Makeda (o nome de Sabá) nasceu em 1020 a. C., em Ophir, um porto mencionado na Bíblia e que se pensa ter-se situado em algum lugar no Iémen. Makeda foi educada na Etiópia e quando o seu pai morreu, em 1005 a. C., ela tornou-se rainha aos quinze anos, tendo governado durante quarenta, apesar de outros relatos falarem apenas de um reinado de seis anos. De acordo com o relato bíblico […] depois de se encontrar com o grande rei [Salomão], ela ficara impressionada com a sua sabedoria, presenteando-o com ricas oferendas. Por sua vez, Salomão oferece-lhe grandes tesouros e «tudo o que ela desejou», após isso ela teria regressado ao seu país. Esta é, em essência, a história de Salomão e da rainha de Sabá.

RAINHA DE SABÁ

A Rainha de Sabá possui significados e denominações diferentes para diversos povos do norte da África e do Oriente Médio. Os etíopes a chamam de Makeda, os muçulmanos a chamam de Balkis ou Bilkis e os romanos a chamavam de Nicaula. Mas o nome que ficou mais famoso na história veio em decorrência da denominação que o famoso rei Salomão, de Israel, a atribuiu, Rainha de Sabá.

Mas, independentemente da diferença de nomeação, Torá, Bíblia e Alcorão concordam que ela foi uma soberana de significativa importância para o Reino de Sabá, que incluía os territórios da Etiópia e do Iêmen. Acredita-se, contudo, que ela tenha vivido no século X antes de Cristo.
A Torá relata que a Rainha de Sabá teria viajado cheia de presentes até o Rei Salomão após ouvir histórias sobre ele. Ela tinha a intenção de testar sua sabedoria e acabou ficando maravilhada com o conhecimento do rei de Israel. Os etíopes afirmam que Salomão conquistou e engravidou a rainha nesse encontro. Dessa relação teria surgido a linhagem de imperadores do povo da Etiópia.
A Rainha de Sabá é a mãe da família imperial etíope. Sua relação com Salomão é detalhada em um importante texto da cultura daquele povo, o Kebra Negast. O filho do casal, Menelik I, foi o primeiro imperador da Etiópia.
No que tange a cultura medieval, a Rainha de Sabá é personagem importante para uma das versões sobre a lendária Arca da Aliança. De acordo com o que é relatado também pela cultura etíope, na volta para casa, a Rainha de Sabá teria levado consigo a Arca da Aliança, que era protegida por Salomão em seu templo durante muitos anos.

A lenda diz que a Arca da Aliança é a presença de Deus na Terra e que o responsável por protegê-la possui muita prosperidade. De acordo com esta versão, o templo de Salomão teria ruído após a levada da Arca da Aliança e a presença desta no Império Etíope teria feito dele um dos maiores impérios do mundo durante vários anos, vencendo todas as guerras e os inimigos. Mas é importante ressaltar que esta é apenas uma das versões sobre a lendária Arca da Aliança.
Para além dos relatos religiosos de diferentes orientações, pesquisas arqueológicas têm descoberto mais informações sobre a Rainha de Sabá. Apontamentos recentes relatos baseados em escavações no Iêmen mostrando que a Rainha de Sabá muito provavelmente teria sido a monarca da Arábia Meridional também. Há evidências de que a própria capital do Reino de Sabá era na região.
A Rainha de Sabá reinou sobre os territórios do Iêmen e da Etiópia, então é provável que tenha sido negra e não branca como tantas atrizes que a interpretaram.

 

AMAMISHAKETE
As mulheres tiveram papel proeminente na sociedade kushita, ocupando posições de poder e prestígio. Ao contrário das rainhas do Egito que possuíam o poder derivado dos seus maridos, as rainhas de Kush eram governantes independentes.

Kush era uma sociedade matriarcal no período de Meroé. Os historiadores acreditam que em Meroé, uma das capitais do império kushita, nunca um homem reinou. O título de Candances para as rainhas foi originado do vocábulo ‘kentace’, e existiu por mais de quinhentos anos.

Quatro dessas rainhas: Shanakdakete, Amanirenas, Amamishakete, Amamitere foram guerreiras temidas e comandaram seus bravos exércitos.
A Rainha Amamishakete

A rainha Amanirenas reinou na cidade Meroé e quando o imperador romano Augustus tentou impor um imposto aos kushitas, Amanirenas e seu filho Akinidad, realizaram um ataque violento a um forte romano na cidade Asuan. Augustus mandou as tropas romanas comandadas pelo general Peroneus, retaliaram, mas, encontraram uma forte resistência de Amanirenas comandando as tropas que derrotou os romanos e os obrigaram a negociar a paz.
Os kushitas detiveram o avanço dos romanos na África, e colocaram um busto de César Augustus enterrado debaixo de uma entrada em um templo. Desta maneira, todos que entrassem pisariam em sua cabeça.

A rainha Amanirenas era alta, muito forte e cega de um olho. Venceu as tropas romanas no ano 23 a.C., obrigando Roma a trocar embaixadores e fecharam um acordo, onde Roma devolveu um território kushita, anteriormente pago em imposto. Outras rainhas também enfrentaram as tropas romanas.

O exército africano de Kush derrotou inimigos egípcios, gregos e romanos.
A civilização de Kush, com seu alfabeto, comércio e triunfos arquitetônicos é considerada por alguns estudiosos, como superior às civilizações mais desenvolvidas do mundo antigo.

 

NEFERTARIRainha Nubia de Egito (1292 – 1225 a.C.)

Uma das muitas grandiosas rainhas da Nubia, Nefertari é anunciada como a rainha que se casou para a paz. O matrimônio dela com o Rei Rameses II do Egito, um dos últimos grandes faraós egípcios, começou estritamente como um movimento político, com o poder sendo compartilhado entre dois líderes. Isso não só se transformou em um dos maiores casos de amor na realeza da história, mas colocou um fim na guerra dos 100 anos entre Nubia e Egito. Mesmo até hoje, um monumento permanece em honra da Rainha Nefertari. Na realidade, o templo que Rameses construiu para ela em Abu Simbel, é uma das maiores e mais belas estruturas construídas para honrar uma esposa e celebrar paz.
Nefertari foi uma grande rainha egípcia, esposa de Ramsés II faraó do Egipto, cujo nome significa a mais bela, a mais perfeita e é muitas vezes seguida pelo epíteto amada de Mut. Interpretando as escrituras à letra, Nefertari teria dado quatro filhos e duas filhas a Ramsés II. Mas, por vezes, a noção de filho corresponde a um título.
No primeiro ano do seu reinado Nefertari foi associada a atos importantes. Logo após ter participado na coroação do seu esposo Ramsés II ela foi levada a apresentar-se perante ele em Abidos numa cerimónia em que Nebunenef foi nomeado sumo sacerdote de Amon, assegurando assim a fidelidade deste rico e poderoso clero tebano. Vê-se nas inscrições egípcias as famosas festas de Min, onde a rainha fazia o ritual das sete voltas em torno do trono do faraó proferindo as fórmulas mágicas para perpetuar a prosperidade das duas terras. Este era um ritual sagrado do estado.
Tal como outras rainhas anteriores, Nefertari exerceu um importante papel nas negociações de paz com os povos vizinhos, nomeadamente com os hititas, correspondendo-se com a sua homóloga a rainha do Hatti.
A morada eterna de Nefertari é um verdadeiro livro de sabedoria, reconstituindo as etapas de uma iniciação feminina. Muito para além da sua existência terrestre, a grande esposa real de Ramsés II lega-nos assim um inestimável testemunho.
O complexo de Abu Simbel é constituído por dois templos. Um maior, dedicado ao faraó Ramsés II e aos deuses Ra-Harakhty, Ptah e Amun, e um menor, dedicado à deusa Hathor, personificada por Nefertari, a mais amada esposa de Ramsés II entre todas que possuía. Ramsés teve oito esposas durante seu reinado, mas foi para ela que escreveu poemas de amor, um dos primeiros poemas de amor da história.
Ele escreveu um poema que foi gravado nas paredes de sua tumba:

“A PRINCESA RICA EM ENCANTOS, SENHORA DO AFETO, MEIGA DE AMOR, DONA DE DUAS TERRAS. POETISA DE LINDO SEMBLANTE A MAIOR NO HAREM DO SENHOR DO PALÁCIO. TUDO QUE DIZEIS SERÁ FEITO PARA VÓS. TODAS AS COISAS BONITAS DE ACORDO COM VOSSO DESEJO.TODAS AS VOSSAS PALAVRAS TRAZEM ALEGRIA A FACE. PORISSO OS HOMENS ADORAM OUVIR TUA VOZ.” (Ramsés II)

 

Fonte: http://luceliamuniz.blogspot.com.br/

Publicado: Rafa Francisca

Elaborado por Shaira Leiza em 08/03/2016

10 Comments
  • Amanda

    Responder

    ADOREI O POST. Parabéns de verdade tudo bem explicadinho. Beijos beijos!
    PS: me visita haha♥

    https://blogcoisasdamaandy.blogspot.com.br/?m=1

    • Rafaela Santos

      parabens pelo seu blog amanda apareça sempre!!

  • henrique

    Responder

    Parabéns. Continue divulgando a beleza negra que reinou na antiguidade. Em particular no antigo Egito.

    • Rafaela Santos

      Sempre, desculpa a demora em responder.

  • edna goulart

    Responder

    boa tarde . amei o seu trabalho. estou iniciando um ato de conscientização do nosso povo contando a história das mulheres importantes da África com imagens e contação da hist´ria estampadas em peças do vestuário. Preciso das imagens em tamanhos grandes para que possam ser reproduzidas . saberia me informar onde encontrá-las.Desde já agradeço

    • Rafaela Santos

      Poxa não sei te dizer, vc pode pegar as fotos do meus blog.

    • Rafaela Santos

      Vc pegou tem no final a fonte da reportagem dá uma olhada, não lembro pois tem muito tempo. Desculpa realmente.

  • krys

    Responder

    amei seu documentario continue postando

  • Eduardo O. Felipe Silva

    Responder

    Cleópatra era macedônica, não africana. Acho polêmico esse ajuntamento de mulheres morenas, negras, mestiças, etc, apenas pelas questões raciais (e gênero), é o velho clichê do século 19 de separar tudo em raça, misturado com marxismo. Essas mulheres, figuras, representavam suas culturas, povos, tinham suas crenças, religiões, provavelmente seriam inimigas entre si.

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