Momento Poema

Minha homenagem a esta grande mulher que inspira muitas outras e terei um dia oportunidade de conhecer a poetisa Helena Ferreira. Olha como ela se apresenta:

“As pessoas que querem fazer deste mundo um lugar pior não descansam, por que eu vou descansar?”.
-Bob Marley

Vou me apresentar: Meu nome é Helena Ferreira, sou Mineira, sagitariana, feminista e escritora.
Criei essa página em 2013, eu sofria de depressão, ansiedade e tinha um transtorno obsessivo compulsivo que estava prestes a chegar no grau 3.
Eu escrevo poemas. E escrever sempre foi minha melhor terapia. A página se tornou meu diário. Eu nunca fiz questão de ter muitos seguidores. Eu só queria aliviar a minha cabeça de tantos pensamentos confusos e problemas diários. Eu sempre escrevi, escrevo desde criança, e de alguma forma isso me ajuda. Escrever aqui todos os dias me ajudou.
Eu ainda tenho transtorno obssessivo compulsivo, mas não me atinge tanto como antes. Eu não tenho mais depressão. E eu consigo controlar a minha ansiedade.
Eu não deveria me expor dessa forma, mas hoje quando acordei, eu percebi que as pessoas estão tendo uma imagem sobre mim, que não condiz com quem sou.
Eu não sou uma celebridade. Eu não sou a melhor escritora. Eu não sou a mais inteligente. Eu não tenho os melhores conselhos.
Já tive muitos conflitos com meu pai por causa do machismo dele, já sofri ao escutar os comentários que faziam sobre a minha mãe por ela ser divorciada. Já sofri com um relacionamento abusivo.
Eu conheci o feminismo quando vi o filme “Até o limite da honra”, eu era bem novinha, mas aquele filme tocou a minha alma. Aquela mulher quebrou todas as barreiras, foi para um treinamento militar, enfrentou aqueles homens sem medo, ela venceu.
Ela foi uma guerreira.
E depois daquele dia, eu decidi que iria lutar também.
Eu não aceitei mais a opressão que sofria.
Dei um basta em tudo. Foi aí que me tornei feminista, pesquisei e estudei sobre o assunto, e vi que eu me encaixava naquilo tudo.
Então um belo dia, estava eu voltando do dentista, e um motoqueiro tentou me pegar a força (eu estava de calça jeans, uma blusa bem larguinha com estampa indiana, cabelo preso, e batom vermelho), só não aconteceu o “pior” porque um senhor que passava na rua gritou, e o motoqueiro foi embora.
Quando contei para as pessoas, teve um amigo que disse: “Ah, mas você também estava igual uma puta com esse batom vermelho.”
Aquilo me corroeu de raiva, de revolta, de indignação. Parei de conversar com ele. Mas aquilo estava me incomodando, então entrei na página e comecei a escrever: “Sou puta, quando uso a boca vermelha…”
E quando eu percebi, eu tinha feito um poema enorme, que gritava ironia e revolta. Em uma semana ele chegou a mais de 100 mil likes. E consequentemente a página também cresceu.
Eu me assustei? Muito. Eu me assustei demais.
Meu mundo secreto havia sido descoberto por centenas de pessoas. Todos agora me admiravam e queriam me conhecer. Eu não soube lidar com isso.
E eu ainda não sei. Porque eu me vejo como uma pessoa normal. Tenho minha vida, meus amigos, meu noivo, etc… Eu tive medo da responsabilidade que me me foi dada tão de repente. Não que eu seja imatura, mas ser porta voz do feminismo e da poesia, é muita responsabilidade.
Mas nem tudo são flores, comecei a receber mensagens estranhas no inbox da página.
Homens dizendo que iriam me estuprar, enviando fotos do pênis, fotos de estupro.
Mulheres dizendo que eu era uma vergonha, uma puta que mancha a imagem delas, e que se elas me vissem na rua iriam “me pegar de porrada.”
E o que eu fiz? Eu gritei mais alto.
Eu não tive medo. Comecei a postar print’s de ofensas, de discurso de ódio, de preconceitos que eu sofria.
Porque eu fiz isso? Porque as pessoas precisam ver que o nosso país não é livre! As pessoas não têm respeito, não têm educação. Como eu vou pedir mudança se não mostro o que precisa ser mudado?
Como vamos corrigir um erro sem saber onde estamos errando?
Quando alguém faz esse tipo de coisa e eu posto, ela se transforma na pessoa mais doce do mundo e pede para que eu apague. Eu apago porque o respeito faz parte do meu caráter. Mas elas não merecem ficar no anônimato, pois se querem fazer esse discurso, que mostrem o rosto, dêem a cara pra bater. Assim como eu faço.
Eu não me escondo, eu sou o que sou, defendo minhas palavras. E eu não preciso usar palavras chulas e de baixo calão para defender meu ponto de vista.
Por isso coloquei essa frase do mestre Marley, porque as pessoas têm me criticado muito, dizendo que eu perdi o “foco” da página. Minha página não tem um “foco”, eu posto o que sinto, o que acho que precisa ser mostrado.
Eu não vou parar de postar sobre feminismo, eu não vou parar de postar sobre homossexualidade, eu não vou parar de postar relatos de abuso, não vou parar de postar sobre amor próprio.
Neste exato momento tem uma mulher sendo estuprada, tem uma mulher sendo agredida, tem uma mulher chorando no quarto pensando em suicídio.
Porque eu devo parar? Os machistas não param. Os preconceituosos não param. Os agressores não param.
Porque eu devo parar?
Eu estou me apresentando novamente, para que as pessoas que não gostarem de mim e de minhas palavras, possam deixar de seguir a página.
Todos são bem vindos aqui, pois é assim que a desconstrução acontece. Se uma mulher que reproduz o machismo mudar seu pensamento porque leu algo aqui da página, o mundo já estaria se tornando melhor. Dentre muitas outras coisas que podem acontecer se as pessoas abrirem a mente e olharem o outro lado da moeda. Mas, se for para entrar aqui e xingar palavrões, me ameaçar e fazer esse discurso de ódio, peço que não percam o tempo de vocês.
Eu não rebato ódio com ódio, eu não acabo com a guerra começando outra.
Eu não vou mandar vocês tomarem no cú, não vou dizer que são broxas, não vou dizer que é falta de boceta ou de rola. Não vou mandar vocês morrerem na guerra e nem lavar louça.
Eu já fui o tipo de pessoa que soltava um “Vai pra puta que pariu” e tava tudo bem. Eu não sou assim mais.
Se você me ofende, vou provar que ofensas não levam a nada. Eu posso ser grossa e sem educação, mas eu nunca desci o nível, nunca perdi o bom senso em meus debates.
Eu não vou falar sobre religião.
Eu não sigo nenhuma religião.
Eu medito, eu me conecto com Deus e com a natureza. Busco paz de que espírito, busco sabedoria para poder enfrentar a vida.
Tenho muito o que aprender ainda.
Vocês não são meus fãs, são meus admiradores.
Eu não sou uma celebridade e nunca serei.
Vocês não devem me ver desta forma.
Sei que prolonguei demais em minhas palavras, mas quando eu sinto, preciso escrever.
Essa sou eu.

-Helena Ferreira.

 

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