MULHER NEGRA NAS CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS

 

Destruir o grande muro de padrões de beleza e estereótipos em sociedade patriarcal e racista, é uma barreira complicada. Aprendemos que “nada melhor que o tempo” e a paciência da sociedade negra em esperar que aos olhos de outrem todos somos iguais, não importa sua cor. O que mede a qualificação profissional são suas competências intelectuais e suas habilidades e não sua cor. O maior de todos os desafios à ausência de representação da mulher negra.

A colunista Joice Beth fez algumas reflexões em suas repostas a uma campanha publicitaria, dizendo “o racismo institucional aliado ao machismo sistêmico é uma sinalização da cumplicidade da mídia com o número de mortes caracterizadas como feminicídio que aumenta entre mulheres negras”. Quando uma classe não é representada gera influencias de padrões que reflete nossas crianças. Gera ainda, o ciclo de racismos, sexismo e misoginias desacerbadas, em escalas de proporções que refletem-se em numero de mortes de mulheres e síndrome de pânico de vitimas afligidas pelas ondas de violência promovida por muitos homens, com seus pensamentos ultrapassados de que a mulher negra é para servir seus desejos.

Os publicitários dessa época atual alegavam que para serem eficientes, os discursos das propagandas deveriam provocar projeções identitárias positivas nos consumidores. Nesse momento, predominava no país, o padrão da beleza europeia, a preferência era por pessoas loiras e com olhos claros. Logo, para as empresas publicitárias brasileiras, colocar artistas negros em seus comerciais significava pôr em risco a empatia do produto junto aos consumidores. A publicidade até podia enxergar o negro como consumidor de produtos, mas não o queria como modelo em frente às câmaras.

“É isso que fazem com as demais raças, especialmente com a raça negra. Somos, desde o berço, bombardeados por informações negativas a respeito de nós mesmos, implantadas no imaginário social, sutilmente, com total aderência da mídia e nenhum questionamento da população. Ninguém, sendo branco, acha incomum a ausência de negros nos espaços que eles ocupam”. (Joice Beth – Urbanista e Ativista/ site Justificando).

Já imaginou o que passa em redes publicitarias ou televisivas que é negro ladrão, marginal, que serve para trabalho braçal, preguiçoso etc. O que todos assistem em suas TVs são notícias negativas a cada segundo, onde os jovens acabam nutrindo desgosto de estudar, acham que não são capacitados e dignos de apenas um trabalho assalariado. E muitas sendo levadas nesse contexto acreditam que é o que merecem, diminuindo ainda mais sua já baixa autoestima, vivendo num mundo de dependências de homens ou que o certo é vender sua aparência e que estudo é perda tempo. O Empoderamento feminista negro permitiu que olhos obscuros fossem clareados, que o negro percebesse seu real valor como ser humano, capaz e dono dos mesmos direitos como todos os demais dessa mesma sociedade chamada Brasil.

Somos todos iguais e desta forma a igualdade precisa como deve ser empregada em gênero e raça todos os dias. “Foi esta discussão que nos fez perceber que, em Raça Brasil, o negro e a negra estão sempre bem vestidos, sempre bem penteados e sempre bem maquiados, por mais que se fale em problemas de periferia, de quilombo ou de favela. O homem e a mulher negros de periferia podem obter ascensão social, dignidade, fama e dinheiro sem que precisem adentrar o mundo do crime”. (Ana Lúcia Castro, 2010).

Há um anseio do movimento negro em contrapartida em privilegiar imagens e ações positivas negras e negros na publicidade e com isso, elevar autoestima e autoimagem desta parcela da população que ao longo da história foi deixada de lado.

Acredita-se que um dos caminhos para desconstruir este imaginário negativo das mulheres negras, legitimado durante séculos se dá por meio da educação, da visibilidade positiva e do protagonismo de negras e negros nos inúmeros dispositivos comunicacionais que se tem à disposição.

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Fonte: COUTINHO, Cassi Ladi Reis. A Estética e o mercado produtor-consumidor de beleza e cultura. 2011.

CASTRO, Ana Lúcia de. Cultura contemporânea, identidades e sociabilidades – olhares sobre o corpo, mídia e novas tecnologias. São Paulo. Cultura Acadêmica. 2010.

http://justificando.com/

Publicado: Rafa Francisca

 

 

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